Corazón

Este Blog é uma criação de Antonio Celso Duarte, em homenagem e em parceria com o poeta e compositor Jotabê Campanholi.
Continuo dedicado a este trabalho, pois a obra deste grande amigo e poeta  jamais será esquecida e permanecerá sempre presente em nossos corações.
Sejam Bem-vindos!

Música de João Galvão com letra de Jotabê Campanholi. Faz parte do mais recente CD “Crias”, lançado por este compositor. O vídeo é uma criação de Celso Duarte Brasileiro com imagens da Obra de Diego Rivera.

João Galvão está lançando seu CD “Crias”, registro de algumas de suas composições, entre regravações e músicas inéditas. O CD conta ainda com a parceria de outros grandes músicos e intérpretes potiguares, como Enoch Domingos, Jaumir Andrade, Jotabê Campanholi, Babal, Franklyn Nogvaes, Joca Costa, Jubileu Filho, Chico Beethoven, Klênio Barros, Di Steffano e Wilames Costa.

CONTATO: mpbproducao@gmail.com
TWITTER: @fmuniversitaria

Jotabê lança livro

No dia 30 de julho, acontece o lançamento do livro “Memorauta” (poesias e canções) de autoria de Jotabê Campanholi (Titico). A obra tem criação e arte da Editora EME e edição pela editora Nova Consciência.

O evento acontece às 20 horas, no Buffet Mama-Mia II, com participação musical de Miguelito e Flávio de Carvalho.

O livro tem a capa de autoria do artista natalense Galvão Filho (arte sobre tela de Jotabê Campanholi). A contracapa é de autoria da Srª Virgínia B. de Mattos. As ilustrações e o prefácio são do arquiteto, músico e compositor capivariano Antonio Celso Duarte. O livro conta, ainda, com o Posfácio do Dr. Flávio Castro Carvalho e será comercializado pelo valor de R$ 20,00.

Toda a renda será revertida em prol da Casa da Criança de Capivari.

Amor, engenho e arte

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Para Rosa

 

Toda arte do amor

está no engenho em descobrir

como conviver com ele.

 

Às vezes, ele é suave com a brisa da manhã outonal,

irado é outras, como tempestade tropical.

Quente é, às vezes, quanto o verão do sol nordestino,

outras é frio, tal o inverno do branco sopro polar.

 

Por vezes é tão mudo quanto a voz da solidão

e outras, algazarra de um estádio de futebol.

Alegre e colorido se põe, às vezes, flores primaveris,

outra há em que se faz luz, rumo e farol.

 

Dói, por vezes, como um profundo choro de mãe

ou é retido, guardado, contido como um caracol.

Há outras vezes que é superficial como um arrepio,

às vezes chega bem cedo, às vezes vem tardio…

 

O amor tem seu engenho:

arte e ofício de se desvendar,

disso tudo, o equilíbrio,

seu perfeito desempenho,

e, então, amar, amar, amar…

 

Janelas!Que fazer com elas?

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

DILEMAS

 

Janelas!

Que fazer com elas?

–Fechá-las ou abrí-las.

 

Em as fechando, cair-se em si mesmo

exorcizando o mundo.

Em as abrindo, esvair-se tão a esmo,

destino moribundo.

 

As portas!

Como resolvê-las?

Abrí-las ou fechá-las.

 

Em as abrindo, sair ou deixar entrar

a dor do dia sujo.

Em as fechando, encaracolar-se

e achar-se sábio caramujo.

 

As casas!

Como equacioná-las?

Refazê-las ou destelhá-las.

 

Em as destelhando, sofrer “as goteiras

de todas as misérias”.

Em as refazendo, tirar-se, dela,

o encanto, a magia, os mistérios.

 

As vidas!

Como compreendê-las?

Vive-las ou morrê-las.

 

Em as vivendo, sabê-las como morrendo

a cada giro do ponteiro.

Em as morrendo, sentí-las renascendo

tal Fênix, das cinzas viajeiro.

 

Este não é, definitivamente, um poema.

É apenas o moto-perpétuo dos dilemas.

 

 

Um pai poeta

  

Pela fresta da porta do meu quarto escuro

eu via, ainda menino, mas de espanto feito,

meu pai curvado à mesa, magro, com seu jeito

de arquitetar a métrica do verso puro.

 

Da ponta de seus dedos, sílabas floriam,

seivadas na emoção e no labor artístico,

e, leve, vinha o verso, romântico ou místico,

que importa? se com ele os sonhos persistiam?

 

Da poética operário, artífice do encanto,

ourives da palavra, lavrador de rimas…

Assim se fez meu pai, poeta em seu recanto.

 

Sangrando a humana dor de sua ausência extrema,

curvo-me, hoje, à mesa, desfeito todo espanto,

à cena antiga volto e colho este poema.

 

Jotabê Campanholi 

Bons amigos

 

Bons amigos eu tenho, desses verdadeiros,

que gargalham conosco quando o tempo é brando

e choram nossas dores e secam nosso pranto.

Ah! Tê-los, é tão bom! Mais que amigos, parceiros.

 

E bebem em nosso copo e comem nossa sobra

e sonham nossos sonhos, andam nossos passos.

Eles nos ajudam a realizar a obra

de construir caminhos, de vencer espaços…

 

Eu os tenho, pacato um, outro mais afoito,

uns bem calmos, nervoso outro e outro forte.

Alguns velhos, outros novos… pelos dezoito…

 

Eles, quando os encontro em festas de ocasião,

me dizem: “Você está novo, não fica velho!”

E eu devolvo, inconteste: “Vocês, também não!”

 

Jotabê Campanholi 

 

O trem

 

Velho trem da Sorocabana – img.digital – Celso Duarte

O TREM

Aonde viajará aquele apito do trem
da velha Sorocabana?
Longo, gemente e pontiagudo,
espetando o silêncio de veludo
da noite capivariana?

Primeiro, ao longe….
depois, varando a madeira do teto
do meu quarto de menino,
despertava meu sonho de viajar.

Onde estará o apito e sua “Maria-Fumaça”
levando e trazendo estórias?
Em que estação ela, hoje, passa?

Ela continua correndo e apitando,
vencendo curvas e pontos… sem destino…
Segue, apitando e correndo,
pelos trilhos luzentes e saudosos
na memória envelhecida do menino.

 Jotabê Campanholi 


Memorauta

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