Para Rosa
Toda arte do amor
está no engenho em descobrir
como conviver com ele.
Às vezes, ele é suave com a brisa da manhã outonal,
irado é outras, como tempestade tropical.
Quente é, às vezes, quanto o verão do sol nordestino,
outras é frio, tal o inverno do branco sopro polar.
Por vezes é tão mudo quanto a voz da solidão
e outras, algazarra de um estádio de futebol.
Alegre e colorido se põe, às vezes, flores primaveris,
outra há em que se faz luz, rumo e farol.
Dói, por vezes, como um profundo choro de mãe
ou é retido, guardado, contido como um caracol.
Há outras vezes que é superficial como um arrepio,
às vezes chega bem cedo, às vezes vem tardio…
O amor tem seu engenho:
arte e ofício de se desvendar,
disso tudo, o equilíbrio,
seu perfeito desempenho,
e, então, amar, amar, amar…





